Parecia uma cena de filme ou de novela mexicana de qualidade duvidosa, a música foleira e piegas que fala de amores acabados e o olhar triste a recordar os bons momentos. Para ser perfeito, também ela devia estar do outro lado a pensar no mesmo e as memórias encontravam-se num espaço reservado, lá no alto, onde ficariam guardadas e fechadas em segredo.
Foi porque a recepção não foi a esperada, foi porque a distância foi matando aos poucos com saudades, foi porque imaginar o que lá se passava voltou a cortar em golpes fundos o coração pequeno, foi porque tocá-la era impensável depois daquela semana, foi porque o amor continuou mais aceso que nunca, foi porque a realidade nunca se apagou, foi porque as palavras mal entendidas foram ouvidas no momento menos certo, foi porque os tempos não foram dados, foi porque... Que interessa agora? Não é por saber o motivo que vai doer menos, não é por saber o motivo que a culpa é menor.
“Fim” é uma palavra pequena demais para aquilo que significa, devia ser uma palavra formada por mil e duas letras, daquelas mesmo difíceis de articular... mas não, é pequena, não custa a dizer... diz-se assim à toa como se fosse um suspiro pequenino e sem dar por isso já se disse.
“Fim”, palavra que persegue para todo o lado... ou é o fim que se espera ouvir e nunca se ouve, ou é aquele que nunca se quer ouvir e se ouve a cada maluqueira que passa na cabeça. Será que o próprio fim tem um fim? Existem daqueles momentos em que o que estava acabado deixa de estar e o fim é exterminado e desaparece dos dicionários mentais? Se momentos desses houverem, que não se saibam, que fiquem para sempre fechados em caixas iguais àquelas onde se guardam papéis que contam histórias.
“Fim” dito vezes demais torna-se uma verdade incontornável.
O fim de uns é a feliz continuidade de outros...
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