Talvez um dia quando eu for bem velhinha, me dê vontade de fazer coisas as quais com certeza não faço por um tostão que seja!! Talvez eu acorde ás 05:30 de um sábado para fazer feira, e me dê vontade de por um vestido roxo, uma bolsa vermelha e uns chinelos confortáveis, porém não muito elegantes... As pessoas irão certamente me olhar torto, e dizer: “nossa, que cafona!”, mas eu não darei à mínima.
Talvez eu receba filhos e netos na minha casa no domingo, e sente numa cadeira de balanço com duas agulhas coloridas e paninhos de tricô, na esperança de que no fim de todo aquele esforço saia um belo par de meias... Talvez eu pare durante alguns minutos, uns poucos minutos, e fique observando a neta mais nova ficar na ponta do pé para alcançar um copo de refrigerante, e lembre de toda a minha infância....
Talvez um dia eu acorde animada, mas com dor nos joelhos, e ainda assim teime em levantar da cama e fazer tudo o que tiver de ser feito na casa; de limpar cada sujeirinha que encontre pro tempo passar depressa, e chegar novamente o dia da feira e o domingo com a família.
Com o passar do tempo, as coisas boas irão ficar na memoria, guardadas em um lugar difícil de encontra-las, mas nunca serão esquecidas. Talvez chegue um domingo durante a primavera, onde muitas flores cairão; eu irei olhar para um lado, olhar para o outro e ver um lindo jardim, sem entender o que está havendo, mas não irei debater. Irei sentar e tricotar outro par de meias.
Por: Nanda leite

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